20 maio 2005

Conto 1: Doce Neve Vermelha || Parte 3: Sirenes

E não foi comigo, um rapaz havia entrado em meu apartamento nesta noite, e esperado eu encher minha cabeça de álcool, naquele momento tentou me atacar com uma faca, realmente ele devia ser muito inexperiente para este imundo mundo. Rapidamente me esquivei de seu golpe e enrolei a manga de meu moleton em seu pulso, o movimento foi tão forte que a faca foi arremessada no teto e cravada, mais tarde eu levaria alguns minutos tentando retirá-la, e por fim acabaria deixando ela lá, dava um charme em meu quarto a mais. Depois consegui imobiliza-lo com um pouco de técnicas de luta, a única coisa que a televisão conseguia me ensinar nesta altura de minha vida. Ele murmurrou algo, parecia estar o bastante assustado para não conseguir falar nada, infelizmente não sou bom em interrogatórios por casa de minha falta de paciência e busquei ignorar qualquer surgimento de razão que tentava brotar em minha mente.Posso jurar que se tivesse um pouco de sensibilidade, uma lágrima escorreria de meu olho, ao invéz do sangue que escorreu do sujeito após eu dar um golpe com um candelábro em sua cabeça.Novamente, aquela sensação de estar errado surgiu em minha consciência, não por conta própria, mas pelas sirenes dos carros de Charles, que agora cercavam todo o quarteirão de meu prédio. A noite apesar da neve branca, iria ser vermelha e quente.

19 maio 2005

Conto 1: Doce Neve Vermelha || Parte 2: Reflexo no Vidro

Chegando em meu quarto liguei a televisão, onde passava um filme em preto e branco. Claro que não era colorido, minha televisão era tão antiga quanto minha sensação de estar sempre errando.Eu definitivamente não gostava da tecnologia, pra mim era como se nós homens fossemos mariposas e ela uma chama, nos seduzindo para nossos ardentes adeus enquanto nos fornecia uma vida melhor.Olhei pela janela e vi uma tempestade de neve regando a cidade, alguns mendigos lá embaixo acendiam uma fogueira e procuravam adiar sua morte atrávez da redução de sofrimento, e de certa forma eu me identificava com eles.Fechei a janela e neste momento eu vi um reflexo de alguém no vidro, foi tudo muito rápido, a única coisa que pude sentir foi de que algo ruim iria acontecer, como aconteceu.

18 maio 2005

Conto 1 : Doce Neve Vermelha || Parte 1 : Quadros no Corredor

O gosto de sardinha ainda estava em minha boca, é impressionante como o sabor de um peixe é capaz de incomodar mais do que gosto de sangue, que já me era bem comum.
Me levantei da cadeira de madeira, comida pelos cupins, e olhando para o resto de macarrão com sardinha que estava na panela enferrujada em minha frente, com o que restava de meu estado sóbrio, procurei sair da cozinha, imunda como minha aparência, e caminhar até meu quarto, "limpo" como minha consciência.
Passei pelo corredor cheio de quadros tortos, apreciava a arte, minha forma de fugir disso tudo estando o mais perto possível da realidade. Tudo bem, não era por isso, na verdade esqueça todo este papo filosófico, as vezes gosto de parecer mais esperto e sábio do que sou.
O motivo pelo qual eu possuia esta vasta coleção de pinturas é que todos os quadros eram pintados por Stacey, a garota que havia tentado me tirar a vida ontem, e que hoje, eu iria tirar a sua.